RJ, 29 de setembro de 2008, BR.
Prezado Sr. Lobanto,
penso que já não há sentido em escrever esta correspondência. Não sei se é possível para o senhor imaginar o tamanho da minha dor, mas não poderia deixar-lhe com a dúvida de que eu tivesse ou não recebido essa infeliz notícia. É com imensa tristeza e incompreensão pela vida (e seus mistérios) que lhe agradeço tamanho favor. Peço-lhe ainda outro: que me informe, pois é preciso, a causa de tamanha fatalidade...
Conheço o Rocha desde que corríamos – garotos – pelo quintal de minha avó, brincando de “pique”... Aos nossos dez anos, há vinte e cinco primaveras, (lembro-me como se fosse ontem) ele foi para a África com seus pais, que estavam à frente deste belo projeto, que, agora, nem ao Rocha tem mais...
Naquela época, eu já sabia que ele era um anjo. E, pelo visto, hoje, o senhor e muitos outros aí também o sabem. Deve ter ciência também de que nunca estivemos sem a companhia um do outro, apesar de tamanha distância. Pelo contrário, esta nos fora ponte geográfica que nos ligava física e fraternamente. E agora que a distância já não tem medida – abstrata – sinto que perdi uma parte de mim. Uma parte do meu ser, que ele, desde sempre, preenchera com bondade, conforto e com seu puro amor...
Diante disso e tudo o que me escrevera, creio que seja mister que o seu trabalho prossiga, de maneira que esse povo, clamorosamente, necessite disso e não tendo eu conhecimento de outra pessoa que possa estar à frente do África Moça a partir de então, senão o senhor que, a meu ver, esteve por muito ao seu lado; ajudando e aprendendo com ele.
O meu encargo aqui no Brasil, suponho o senhor sabê-lo, é de mesma via, no entanto, com nossos projetos distintos, o que posso fazer é contar com sua contínua boa vontade e desejar profundamente que, com isso, o nome do Reverendo Rocha mantenha-se nesse belo gesto e torne-se símbolo de caridade para todo o precisado povo moçambicano.
No mais, peço que me desculpe o desabafo; anseio que compreenda. Rocha era meu único e verdadeiro Amigo. Sempre de braços abertos e todo ouvidos – não à toa que veio a tornar-se padre...
Com grande pesar,
Glória.
PS: Sr. Lobanto, yoga é um tipo de técnica que nos produz tranqüilidade (corporal e mental), através de certos movimentos físicos. Como exercícios respiratórios, relaxamento muscular etc. Uma filosofia.
PS 2: Meu novo endereço segue em um rascunho, anexo à carta. Mudo-me em cinco dias.
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